Então, o ano acabou ! – Coluna Celio Fonseca

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Então, chegou o tempo mais esperado pela maioria da população de todo o mundo. Depois de um ano turbulento em que a retrospectiva talvez nos remeta a inacreditáveis fatos que nos deixaram boquiabertos, estamos chegando ao fim.

Iniciamos o 2017 cheios de uma esperança discreta, que não chegou a nos motivar mas que, de qualquer forma, deixou uma ponta de esperança de um mundo de mais conquistas e realizações para todo o povo brasileiro. Afinal de conta, amanhecemos em janeiro com prefeitos novos e, para aqueles mais otimistas, seria o motivo necessário para que fossem alimentados os mais altos dos ideais. Afinal sonhar faz parte do imaginário pessoal de todos nós.

Iniciamos o ano ainda perturbados com a insistente cobertura do trágico acidente que vitimou quase todo o time de futebol da Chapecoense. Aliados a isso, a sempre sensacionalista imprensa brasileira dedicava grande parte dos noticiários jornalísticos para as enchentes, para os reservatórios de água de todo país, que não conseguiam chegar a um certo nível determinado por técnicos. Toda a expectativa gerada  pela posse dos novos mandatários passou a um segundo plano de cobertura jornalística diante das calamidades e das tragédias, como aliás é de praxe em grande parte da imprensa brasileira. E como também é costume da maioria da nossa população, fomos embalados pela seleção dos grandes editores de notícia do país, e ficamos muito mais a mercê das notícias que nos envolvem e canalizam nossos pensamentos. E aí mergulhamos como sempre na passividade, atentos aos assuntos de interesse da mídia do país.

Tivemos um ano realmente turbulento. Fomos remetidos à Roma antiga, e pudemos ver na “arena” instalada na capital federal, os gladiadores da política brasileira, baixando a um nível inimaginável na briga pelo poder. Acusações mútuas, palavras e palavrões como lanças e dardos romanos da antiguidade, lançados de um grupo a outro no mais deprimente dos espetáculos raramente vistos numa democracia. De uma hora para outra, começaram a aparecer as mais sérias acusações e delações, que colocaram a mostra a realidade da vida instalada nos poderes constituídos na nossa nação. Por um tempo, sempre acordávamos em um novo dia, na certeza de que uma novidade apareceria depois de delações. E parecia mesmo que havia se encontrado a ponta de um enorme novelo de linha, embaraçada por um longo período de negociatas e favores nos mais diversos setores da administração de nosso país. Todo dia tínhamos uma novidade estarrecedora e um novo nome para nos fazer arregalar os olhos diante da TV e acompanhar sem acreditar em um novo seguimento daquele conluio do qual chegamos a acreditar que ninguém se safaria dele.

Pudemos ver surgir a lava jato e formar em nossa consciência uma nova esperança de que finalmente alguma coisa séria aconteceria neste país que caça presidente, nomeia outro, tem uma república estremecida pela corrupção e poderes fragilizados, cujos líderes estavam quase todos envolvidos nesta trama que faz inveja a qualquer célebre roteirista de Hollywood. E nossa população chegava ao ponto de ironizar todos os fatos. Chegamos mesmo a desacreditar de nossos políticos em sua maioria envolvidos na tramoia da corrupção em tudo e por todos.

A Lava jato chegou a soerguer  a esperança do povo brasileiro. Mas, pouco a pouco, um ajeitamento e depois outro, parece que tirou da justiça o embalo das apurações, soterrando parte daquela nossa esperança que tentava sobreviver em meio a lama que se instalava no país. E pudemos assistir também incrédulos, recursos da justiça que beneficiavam um, depois outro preso. Uma grande batalha de advogados a todo dia protocolar recursos e procurar válvulas de escape na lei, para libertarem seus clientes independente do grau de envolvimento na trama da corrupção. E nós passivamente assistimos a tudo. Acidentes que acabaram vitimando juiz, negativas descaradas sobre participação na trama, ajeitamentos parlamentares para que todos pudessem se salvar do martelo incansável da justiça.

E de repente, não mais que de repente, as coisas começaram a se esfriar. Políticos de credibilidade em baixa, começam a posar de vítima. A lava jato vai perdendo voz e o temor de todo o povo é justamente que mais uma vez tudo termine em pizza.

Achamos um escândalo o dinheiro na cueca. E agora neste ano, deparamos com o dinheiro em malas escondidas em apartamento. E não são milhares de reais, são milhões. É muita nota reunida, muita mesmo. Que humilhação para aqueles parcos dólares na cueca. Quem diria !

E os combustíveis que não param se sofrer acréscimos. Será que os cidadãos brasileiros vão pagar através dos combustíveis os rombos de nossos políticos na Petrobrás além de outros? Em outros anos aconteceram muitas majorações, mas em nenhum deles  de forma tão desumana e descarada como nos nossos dias.

E a sociedade questiona a todo momento: que motivos levam um presidente da república enfrentar uma população inteira com uma medida totalmente impopular e agressiva a grande maioria dos trabalhadores brasileiros ? O que há por trás de tudo isso ? Por que essa obstinação pela reforma que pode trazer ao atual presidente o título de mais impopular da história do país ?

E essa luta homérica para fugir das denúncias da procuradoria geral da união? O que foi necessário ao presidente para escapar das duas investidas no congresso para autorizar abertura de investigação a atos presidenciais ?  Meu Deus, que ano !

Como se não bastasse tudo isso, ainda vem nosso mandatário maior propondo a reforma da previdência e diluindo os direitos constitucionais de cidadãos em nome de um discutível rombo na previdência. E pudemos conhecer também neste ano os grandes devedores da previdência social que acumulam cifras devedoras em valores extraordinários. Mas, segundo o governo, o trabalhador brasileiro, que percebe o mísero salário é um vilão nesta falência. Até parece mesmo que os assalariados e suas contribuições sobre um salário de um pouco mais de 900 reais é que são capazes de “quebrar” a previdência.

Foram tantos números nestes processos fraudulentos de corrupção, que nosso povo até perdeu o hábito de falar em dinheiro abaixo de milhões.

Por tudo isso caríssimos, temos que sonhar com um ano novo melhor. O sonho é inerente a nossa condição humana e não podemos abdicar dele. Em 2018 teremos uma oportunidade para “passar a limpo” muita coisa em nosso país, através da eleição. O que precisamos mesmo, é rogar a Deus que dê ao povo brasileiro luz e consciência para saber direcionar a escolha neste pleito tão importante. Daqui a pouco, as vozes enganadoras se cobrirão com a pele de cordeiro, para amavelmente nos pedir apoio pelo voto. Não podemos nos deixar levar pela fantasia de bom samaritano que muitos usam para lograr-nos e depois virar-nos as costas como aliás é da prática de muitos deles.

Estamos ainda em tempo de natal. Vamos nos embrenhar desse espírito de solidariedade e paz que esse tempo nos inspira, e vamos rogar a Deus por nosso país e para que cada cidadão tenha consciência bastante para eleger alguém que pelo menos seja honesto. Isso é o mínimo que podemos exigir de nossos representantes na política. E que a população mais carente desse nosso Brasil seja lembrada da mesma forma que somos lembrados no período pré eleitoral. E que eles saibam que nós vivemos também durante os outros 4 anos de seu mandato. Não existimos apenas no período da eleição senhores políticos.

Que todos sejamos capazes de lembrar disso ano que vem!

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